Urgências 24h

Vacinaçao gatos

O programa vacinal dos gatinhos deve ser iniciado ás 8 semanas de idade, estando sujeito a um reforço após 4 semanas e posteriormente anual.
Alguns animais, pelos riscos a que estão expostos, além da vacina trivalente que comporta as 3 primeiras doenças abaixo descritas, deverão aida fazer a vacina da leucemia felina-

Principais doenças abrangidas pela vacinação:

Panleucopenia felina:

O parvovírus da panleucopenia felina (FPV) infecta todos os felídeos
assim como guaxinins, martas e raposas.
Pode levar à extinção de populações inteiras de gatos susceptíveis.
O FPV pode sobreviver no meio durante vários meses e é altamente
resistente à maioria dos desinfectantes.
Gatos doentes excretam FPV em elevadas concentrações nas fezes
e a transmissão ocorre por via orofecal.
O contacto indirecto é a via de contacto mais comum de infecção e o FPV
pode ser transportado através de ”veículos” ou fomites (calçado, vestuário),
o que significa que gatos que não saiam de casa também estão em risco
Também ocorre transmissão intra-uterina do vírus e infecção
dos recém-nascidos.
O FPV afecta gatos de todas as idades. Os juvenis são mais susceptíveis
Taxas de mortalidade elevadas, >90% nas crias
Dependendo dos tipos de células infectadas, os sinais de doença incluem :
- diarreia
- linfopenia, neutropenia, seguida de trombocitopénia e anemia
- imunossupressão (transitória, em gatos adultos).

Infecção do tracto respiratório superior por herpesvírus felino:

É provocada pelo herpesvirus felino (FHV), de distribuição mundial,
também existente em felídeos não domésticos
O FHV ocorre frequentemente em associação com calcivírus felino
e bactérias.
O FHV permanece latente após a recuperação e a maior parte dos gatos
tornam-se portadores do vírus para toda a vida.
O stress ou o tratamento imunosupressor com corticosteróides pode levar
à reactivação do vírus e à respectiva excreção.
Os gatos doentes excretam o FHV nas secreções orais, nasais
e conjuntivais; a excreção pode durar até 3 semanas.
A infecção requer contacto directo com um gato excretor.
A infecção é comum em locais com vários gatos como centros
de reprodução e hotéis para gatos, abrigos e em casas com vários gatos.
As crias podem ser infectadas subclinicamente pelas progenitoras
com infecção latente.
Os sinais clínicos são rinite e conjuntivite agudas, geralmente acompanhadas por: febre;
depressão e anorexia, são particularmente graves nas crias ;
podem ocorrer pneumonias fatais;
Queratite dendrítica ulcerativa;
Os sinais desaparecem geralmente em uma ou duas semanas.

Infecção do tracto respiratório superior por calicivírus felino:

É provocada por calicivírus felinos (FCV), agentes patogénicos altamente
contagiosos do tracto respiratório superior, amplamente difundidos entre os
felídeos, com prevalência mais elevada em grupos grandes de gatos
que vivem juntos.
Os FCV são altamente variáveis e sofrem mutações continuamente.
Existem inúmeras variantes, um amplo espectro de virulência,
antigenicidade e imunidade induzida.
Ocorrem frequentemente infecções simultâneas com FHV, Clamydophila
e/ou Bordetella.
Foram observadas recentemente formas sistémicas mais graves
de infecção por FCV (provocando a “doença sistémica virulenta
por calicivírus felino”).
Gatos doentes, portadores ou com infecções agudas excretam FCV
nas secreções oronasais e conjuntivais.
A infecção corre principalmente através de contacto directo,
mas a transmissão indirecta também é comum, uma vez que o vírus pode
permanecer infeccioso até um mês em superfícies secas.
Os sinais clínicos dependem da virulência da variante de FCV envolvida e da idade do gato.
Úlceras orais, sintomas relacionados com o sistema respiratório superior
e febre alta. Também pode ser observada artrite transitória.
Pneumonia, particularmente em crias.
Os FCV também se encontram em praticamente todos os gatos
com estomatite crónica ou gengivite.
Gatos com doença sistémica virulenta por calicivírus felino revelam
invariavelmente: febre, edema cutâneo, lesões ulcerativas na cabeça
e membros e icterícia. A mortalidade é elevada (até 67%) e a doença
é mais grave em gatos adultos.

Leucemia felina:

É causada pelo vírus da leucemia felina (FeLV), um retrovírus, que pode
induzir uma depressão do sistema imunitário, anemia e/ou linfoma.
Afecta gatos em todo o mundo A prevalência da infecção na Europa
é baixa (≤1%), mas pode exceder os 20% localmente.
Ao longo dos últimos 25 anos, a prevalência da infecção por FeLV caiu
consideravelmente graças a testes de diagnóstico fiáveis e às vacinas.
A transmissão do FeLV ocorre através de disseminação viral
(saliva, fezes, secreções nasais, leite) por gatos infectados.
A transmissão entre gatos ocorre principalmente através de contactos
amigáveis (troca de cuidados de higiene), mas também através de mordeduras.
Em grupos grandes de gatos, cerca de 30-40% irão desenvolver virémia,
30-40% virémia transitória e 20-30% seroconversão (anticorpos detectáveis);
uma minoria (~5%) revela antigenémia na ausência de virémia.
Em fêmeas virémicas, a gravidez resulta, geralmente, na morte dos embriões,
nados-mortos ou em crias virémicas e em estado de enfraquecimento.
As crias são especialmente susceptíveis a infecção por FeLV. Com a idade,
os gatos tornam-se mais resistentes.
Os sinais mais comuns em gatos com virémia persistente de FeLV são :
- Anemia (principalmente não regenerativa)
- Imunossupressão (predisposição para outras infecções)
- Linfoma (tímico, alimentar, multicêntrico ou atípico)
Menos comum:
- Doença imunomediada (anemia hemolítica, glomerulonefrite, poliartrite)
- Enterite crónica (necrose nas criptas)
- Perturbações reprodutivas (reabsorção fetal, aborto, morte neonatal
e crias em estado de enfraquecimento)
- Neuropatias periféricas (anisocoria, midríase, síndrome de Horner,
vocalização anormal, hiperestesia, paresia, paralisia)
A maior parte dos gatos com virémia persistente morrem dentro de dois
- ataxia devido a hipoplasia do cerebelo (em crias apenas)
- aborto.

Fonte: ABCDE European Advisory Board on Cat Diseases